WGSN - Futuros propulsores 2023
O ano de 2020 pode ter começado com o fechamento de vários negócios, mas até 2023 as empresas e os consumidores vão se abrir para novas estratégias, políticas e prioridades. Em uma época de incertezas, as marcas vão precisar se comunicar e se conectar com os consumidores, conservar seus recursos e construir uma comunidade para se manterem relevantes.
the WGSN Trend Team
12.04.20 · 6 minutos
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Vinicius Costa
Sumário executivo

Depois que as turbulências de 2020 acalmarem, as empresas e os consumidores vão adotar novas maneiras de criação, produção, vendas e consumo em 2023. Em uma época de incertezas, os executivos podem investir na importância dos quatro Cs: conexão, conservação, comunicação e comunidade.

Essa matéria identifica sete propulsores mundiais que vão remodelar os cenários macroeconômico e de negócios em 2023 e traz estratégias importantes que as empresas podem adotar hoje para ter sucesso no futuro.

  • Reforma radical: esse será o carro-chefe de 2023. Esteja preparado para ser responsabilizado por práticas relacionadas à diversidade, sustentabilidade e responsabilidade social corporativa.
  • Proteção e segurança: isso vai impulsionar inovações em materiais de defesa, o aumento das redes de segurança das casas e dos bairros e irá popularizar pagamentos e produtos touchless.
  • Paradoxo tecnológico: os cobots (robôs colaborativos que interagem com as pessoas) e o conhecimento digital democratizado vão ganhar espaço. Mas, por outro lado, a quantidade excessiva de informação, o enfraquecimento dos influenciadores e as políticas internacionais de tecnologia vão gerar uma redefinição total do setor.
  • Comunidade 3.0: aposte no crescimento da rede de fornecedores das comunidades, em funcionários que atendam os clientes fora das lojas e na capacitação de pessoas locais para fomentar a economia dentro da sua comunidade.
  • Meio ambiente, da urgência à emergência: as empresas regenerativas estão criando um futuro sustentável. Já a produção sob demanda e a transferências de operações para países ou regiões mais próximos (nearshoring) estão transformando os modelos de distribuição.
  • Geração Recessão: os mercados de trabalho instáveis e a nova economia de freelancers ("gig") vão criar novos hábitos de consumo e de gastos para essa geração.
  • Novas Alianças: as relações internacionais estão mudando e isso está enfatizando as tensões políticas, aumentando o efeito dominó.
Clarisse Croset

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Índice e metodologia: futuros propulsores

Nossas previsões são feitas com base em conjuntos de dados colaborativos de propriedade da WGSN, com insights de especialistas que fazem parte da nossa equipe global de analistas, estrategistas, cientistas de dados e pesquisadores.

Nossos especialistas internacionais utilizam a nossa estrutura STEPIC, analisando sociedade, tecnologia, meio ambiente, política, indústria e setor criativo para identificar as principais forças que estão impactando a sociedade e a indústria de bens de consumo.

A partir dessa análise, a WGSN produz três grandes matérias anuais com previsões para os dois próximos anos. A matéria Futuros propulsores identifica sete fatores mundiais que vão redefinir os cenários macroeconômicos e de negócios. Já o artigo Futuras Inovações destaca as 12 áreas de inovação que vão transformar as indústrias e as suas implicações para as empresas e a cultura. A terceira matéria, Consumidor do futuro, apresenta as visões e os perfis dos consumidores que vão impactar as indústrias.

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Índice da pluralidade emocional

O fator psicológico determinante de 2023 será o conceito de pluralidade emocional.

Medo. Esperança. Raiva. Pena. Otimismo. Esqueça tudo. Repita o ciclo.

Essa é a pura natureza da pluralidade emocional, aflorando vários sentimentos ao mesmo tempo graças a um mundo cada vez mais complicado e em constante mudança.
A aceleração emocional tem caracterizado o ano de 2020, com sentimentos sendo intensificados ou enfraquecidos dependendo dos diferentes acontecimentos e informações. Impactados por notícias atualizadas 24 horas por dia, feeds das redes sociais, movimentos mundiais por justiça social e crise climática, as pessoas têm enfrentado dificuldades de processar suas emoções na mesma velocidade que as mudanças acontecem.

Até 2023, veremos uma mudança em torno da aceitação e da capacidade de gerenciar diversos estados emocionais. Apesar dos motivos serem diferentes, eles vão resultar na reforma de instituições tradicionais, em uma nova valorização da comunidade e na volta do otimismo.

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Fator número 1: reforma radical

A combinação do Covid-19, das disparidades raciais e da revolta civil generalizada culminou em uma sociedade fragmentada.

Os cidadãos estão questionando a base e as estruturas das sociedade em que vivem e estão pressionando instituições para resolver a causa dos problemas, não apenas os sintomas. Há uma conscientização geral de que as desigualdades raciais e educacionais estão extremamente relacionadas. Por isso, as pessoas e as organizações estão promovendo soluções para garantir que uma mudança sistêmica aconteça.

Responsabilidade por suas ações: um quadrado negro em uma página da rede social não representa um plano pela diversidade. Em 2023, os consumidores vão exigir que as marcas e os varejistas se responsabilizem pela diversidade em todos os setores do seu negócio. As iniciativas como a 15 Percent Pledge e a The Board Challenge estão ganhando força e até 2023 as pessoas esperam ver mudanças sistêmicas, não apenas promessas sociais. Em reação ao movimento Vidas Negras Importam e à falta de atividade substancial das marcas, Aurora James, fundadora da Brother Vellies, criou o 15 Percent Pledge. Considerando que quase 15% da população dos EUA é negra, ela criou uma petição pedindo aos varejistas que "se comprometam com que 15% dos produtos que vendam sejam de empresas com proprietários negros". Com o movimento ganhando apoio social generalizado, empresas como a Sephora, Rent the Runway e West Elm se uniram à causa. Em outubro de 2020, a Macy's se tornou o maior varejista a se comprometer com essa promessa, além de outras medidas de diversidade e inclusão. A loja de departamento definiu uma meta de "alcançar uma diversidade étnica de 30% para cargos de diretoria sênior e posições superiores até 2025".

@15percentpledge

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Reformando a educação: muitos países estão reavaliando suas estruturas educacionais e como torná-las mais justas. As falhas do sistema educacional são evidentes nos EUA com uma dívida estudantil de US$ 1,6 trilhão e um mercado de trabalho instável com taxa de desemprego crescente. "Se o sistema educacional não for reformado em todos os níveis, o cálculo impessoal da economia de mercado vai passar por cima de tudo isso, levando consigo o aspecto mais precioso e delicado da educação: o engajamento", afirma Sanjay Sarma, professor de engenharia mecânica e vice-presidente de Open Learning do MIT (Massachusetts Institute of Technology). "Precisamos trazer de volta o engajamento para a educação em 2021 e nos anos seguintes conforme nos livramos lentamente desse conflito com natureza."

Em julho de 2020, a Índia instituiu uma nova política de educação pela primeira vez em 34 anos, substituindo a sua Política de Educação Nacional de 1986. A iniciativa foi criada para melhorar a estrutura pedagógica e das escolas do país e inclui, além de outras coisas, a intenção de resgatar o sistema de educação pré-colonial. Como visto na matéria Descolonização: valores sociais em evolução, a iniciativa espera transformar a Índia em uma sociedade de conhecimento dinâmico ao criar um currículo multidisciplinar e inovador.

Em outras partes do mundo, os currículos educacionais também estão sendo criticados e avaliados conforme o negacionismo histórico é questionado. Uma investigação do The New York Times revelou que o mesmo livro de história dos EUA tem conteúdo diferente dependendo do estado, influenciado pela política partidária. No Reino Unido, um grupo empreendedor social chamado The Black Curriculum está lutando para reformar "o futuro da educação através da história dos negros britânicos" com o objetivo de garantir que a história negra esteja presente do program de estudo das escolas.

Também motivada por uma educação inovadora, Cingapura está reformando o seu sistema de educação para ser baseado em valores, com menor ênfase em resultados acadêmicos até 2024. O plano de ação movido por valores é baseado em uma estrutura mais ampla definida pelo projeto OECD: Future of Education and Skills 2030, que está sendo usado por vários países. Para algumas regiões, a educação justa não é apenas para os jovens. Na Coreia, as escolas rurais estão diminuindo por causa da baixa taxa de natalidade. Mas, em vez de fechar essas escolas, mulheres adultas que não tiveram educação quando eram crianças estão passando a frequentá-las junto com os estudantes mais jovens.

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Oportunidades de negócios: reforma radical

Rastreie o seu progresso: seja transparente com suas iniciativas de diversidade. Torne públicas as suas metas de diversidade e inclusão e compartilhe atualizações detalhadas regularmente. Veja a Dôen, marca de venda direta de moda feminina com sede em Los Angeles, que postou um quadrado preto na sua página do Instagram em julho de 2020 e depois apresentou a sua declaração de Responsabilidade antirracista, destacando metas de curto e longo prazo para garantir mudanças profundas nas suas práticas de recrutamento e contratação. Desde junho, a Dôen apresentou detalhadamente uma nova parceria com a instituição Historically Black Colleges and Universities (HBCUs) para recrutamento, assim como uma análise da composição racial e étnica da sua equipe. Para permanecer responsável, a Dôen se comprometeu a postar atualizações trimestrais sobre o assunto nas redes sociais e no seu jornal online.

Empresas como o Starbucks e o Google se comprometeram publicamente a garantir uma força de trabalho mais diversa e inclusiva. Até 2025, o Google pretende ter 30% dos seus cargos sêniores de liderança compostos por grupos de minorias, e o Starbucks se comprometeu a ter 30% da sua força de trabalho corporativa identificada como negra, indígena ou de outra minoria até 2025, mais do que os 15% de 2019. A Qintess, uma das principais empresas de tecnologia do Brasil, se comprometeu a investir R$ 10 milhões para impulsionar a diversidade dentro da sua empresa e investir capital em start-ups lideradas por negros, indígenas ou outros grupos racializados.

@jeffbezos

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