10 tendências para 2021 – e além | WGSN
Da digisexualidade ao micélio e a magia dos cogumelos, nossa equipe global de especialistas revela o que 2021 nos reserva
the WGSN Trend Team
12.17.20 · 7 minutos
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Lauren Humphrey for WGSN
Introdução

Com 2020 chegando ao fim, a WGSN revela as 10 principais tendências identificadas pela nossa equipe global de especialistas. Aqui, reunimos os destaques, entre eles a cor-chave do ano, as inovações digitais e sustentáveis mais empolgantes e as tendências de consumo mais notáveis. Para 2021 – e além...

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1. Ovos sem galinha

Será que uma das grandes questões da humanidade – quem veio primeiro, o ovo ou a galinha – será logo superada? A nossa previsão é que 2021 será o ano em que os ovos veganos se popularizarão globalmente, transformando-se no substituto vegano de maior destaque. Esses novos substitutos de ovos vão muito além dos existentes, replicando com maior sucesso o visual, o gosto e a versatilidade dos ovos de galinha usando proteínas de plantas. Em meados desse ano, a líder no mercado JUST Egg vendeu o equivalente a 50 milhões de seus ovos de feijão moyashi; agora, a empresa prepara seu IPO (Oferta Pública Inicial) e irá se expandir globalmente. No Reino Unido, o produto Oggs Aquafaba se vale do poder do grão-de-bico; em Israel, o Zero Eggs é feito a partir de uma mistura de soja, batata, ervilha e grão-de-bico. Preste atenção na marca indiana Evo Foods, que usa como ingredientes plantas nativas, e na estadunidense Clara Foods, que produz seu substituto a partir da fermentação: esses novos métodos ajudarão a ampliar a oferta de ovos veganos, benéficos para a saúde humana, o bem-estar animal e o meio-ambiente.

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2. A.I. Aqua, a cor do ano

Talvez não seja surpresa que a nossa Cor do Ano funcione bem nos meios digitais. Em março de 2019, nós previmos, junto com nossa parceira Coloro, que o A.I Aqua seria uma cor essencial para 2021. De ar tecnológico, essa cor (Coloro: 098-59-30) é extremamente versátil. Ao mesmo tempo esportiva e vanguardista, ela pode ser usada tanto na moda conceitual quanto na esportiva, além de ser um tom moderno de azul que pode ser usado na decoração e em produtos eletrônicos. Uma pesquisa feita recentemente sobre as cores usadas nos sites mais populares da internet indica que o azul é a cor mais utilizada. Os tons de azul, muito usados no mercado de tecnologia, se tornarão mais imersivos e relevantes. Numa era digital em que podemos moldar nossas próprias identidades e na qual nossas personas digitais são tão importantes quanto as reais (se é que não mais), prevemos que esse tom irá agradar à grande parte do público e fará sucesso em todas as categorias de design e grupos demográficos.

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3. Genuinfluenciadores

Conheça os genuinfluenciadores – em breve, a apenas um clique de distância de você. Os influenciadores digitais estão evoluindo, e continuarão a ser parte essencial da sociedade. No futuro, essas figuras serão cada vez mais utilizadas para disseminar a verdade entre os seus seguidores, trabalho fundamental dentro de um ecossistema que sofre com a desinformação. A Finlândia é um bom exemplo: durante a pandemia, 1,5 mil influenciadores ganharam status de trabalhadores essenciais, encarregados de divulgar informações importantes sobre segurança. Nos próximos anos, a atenção se voltará para esses influenciadores, cujo trabalho será compartilhar informações importantes e verdadeiras em nome de grupos como a Organização Mundial da Saúde. A própria OMS se juntou ao influenciador Knox Frost durante a pandemia para pedir doações e compartilhar dicas de segurança. Esse novo tipo de narrativa mais séria será integrado ao conteúdo cotidiano desses influenciadores, se parecendo menos com propaganda e buscando mais proximidade com o público, focando mais em conteúdo do que em likes.

 

 

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4. Máscaras para queixo e pescoço

Depois dos tratamentos para o "tech neck" ("pescoço tecnológico", ou dores na coluna causadas pelo uso de celular), chegou a hora de prestar atenção na área do maxilar e do pescoço. Em razão do tempo que passamos com o queixo para baixo e olhando para nosso reflexo nas telas, dermatologistas e cirurgiões plásticos apontam um aumento na demanda por "ajustes" nessas áreas, seja para papada ou para pescoços enrugados. Em 2021, os consumidores irão buscar produtos e aparelhos que tratem essa área com resultados profissionais, o que aumentará a demanda por tratamentos que possam ser usados em casa. Máscaras hidratantes que cobrem também o pescoço e o colo, como a Celestial Black Diamond da 111Skin; máscaras feitas especialmente para essa área, como a Hydrogel Décolletage Mask da The Light Salon, e faixas redutoras que "firmam e levantam" a papada irão ganhar popularidade. Novos modelos de máscaras de LED, hoje usadas para tratar a pele do rosto, serão desenvolvidos especialmente para essas áreas. Para acelerar o processo de rejuvenescimento da pele, o The Neck and Dec Perfector, um colar com LED, pode ser usado junto das Light Therapy Masks, populares no Instagram.

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5. Digisexualidade

Usar a tecnologia para estabelecer vínculos românticos significativos será cada vez mais normal, resultado de um mundo cada vez mais digitalizado – especialmente à medida que a tecnologia evolui e se torna mais inteligente. Nós identificamos essa "atitude emergente" no início de 2019, mas assim como outras tendências, ela foi acelerada pela pandemia. Com o distanciamento social afetando nossa conexão com o outro, mais e mais pessoas usaram a tecnologia para atender sua demanda por amor, intimidade e apoio. Algumas pessoas passaram a depender ainda mais do mundo digital para suprir seu desejo por apoio emocional e companhia: aqueles que se identificam como "digisexuais" apostam na tecnologia imersiva, como VRs, inteligência artificial e robôs, para cultivar relacionamentos que não dependem nem da presença física nem da disponibilidade emocional de outros humanos. Ou, em teoria, sem toda aquela bagagem emocional complicada que trazemos para nossos relacionamentos.

 

 

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6. Micélio e o efeito cogumelo

O micélio é o material para 2021. Os cogumelos são a parte visível do micélio, uma rede de hifas que cumpre um importante papel para a agricultura regenerativa e para a absorção de carbono. Os cogumelos já se tornaram ingrediente-chave nos produtos de beleza, alimentos e bebidas. De alternativas ao couro usadas em bolsas, sapatos e sofás a cogumelos cultivados para a produção de embalagens de vinho e velas, tudo indica que, em breve, esses materiais deixarão sua fase experimental e chegarão no mercado com tudo. A Adidas, a Stella McCartney, a Lululemon e a Kering se uniram para investir no biomaterial Mylo – cada uma delas irá investir quantias de sete dígitos para ampliar a produção e a cadeia de suprimentos dessa alternativa ao couro. Cada vez mais pessoas cultivam seus próprios fungos, e as fazendas de cogumelos estão mudando vidas na África. O uso de cogumelos medicinais irá estourar: a psilocibina, um fungo alucinógeno, acaba de ser legalizada no Oregon, EUA. Nos próximos anos, a mágica do micélio irá crescer.

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7. Tênis de corrida circular

Você já ouviu falar da economia circular, na qual os recursos são reutilizados continuamente e sem desperdício, certo? Bem, chegou a hora de conhecer o tênis de corrida circular, a manifestação dessa teoria em forma de sapato. A Adidas está testando o Ultraboost DNA Loop, um tênis que pode ser reciclado no fim de sua vida útil e refeito em um novo tênis, com a intenção de lançar o produto em 2021. Outras marcas pequenas especializadas em tênis de corrida, como a On Running, estão lançando serviços de assinatura, já pensando no desenvolvimento de um sistema de produção fechado e sustentável. A marca francesa Salomon criou pontos de coleta para seu primeiro tênis de corrida inteiramente reciclável, o Index.01 (os tênis são lavados e desmontados no local, e em seguida transformados em novos tecidos ou bolinhas de plástico que podem ser usadas em outros calçados de alta performance como botas de ski). Se os tênis de corrida circular forem uma boa indicação, 2021 será o ano em que investiremos em uma economia mais sustentável.

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8. Drinks moleculares

Não, não estamos falando sobre o mundo da gastronomia molecular – termo que muitos chefs afirmam ser inexato – com suas espumas e nitrogênio líquido. Estamos falando sobre a parceria entre os setores da ciência e tecnologia e as indústrias de destilados, vinho e café, que visa criar bebidas inovadoras feitas não a partir de grãos, uvas ou feijões, mas de moléculas cuidadosamente compostas. Com a engenharia reversa, empreendedores podem recriar uísque e bourbon envelhecidos, vinho moscatel, saquês aromáticos e uma boa xícara de café. Essas bebidas não são sintéticas, mas feitas a partir de moléculas de plantas que emulam essas experiências gastando menos água, terra, carbono e tempo. A Endless West, empresa com sede em São Francisco, está na vanguarda dessa tendência, com seu uísque Glyph, vinho Gemello e saquê Kazoku, vendidos em mais de 800 pontos dos Estados Unidos e de Hong Kong. Para reduzir o desmatamento, a Atomo Coffee, de Seattle, reutiliza matéria orgânica como caroços, sementes e talos em sua versão molecular do café. Outra iniciativa que vale a pena acompanhar é a Alcarelle, um álcool sintético criado no Reino Unido que promete te deixar bêbado sem dar ressaca.

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9. Do CBD ao CBN

Não é de se espantar que o interesse nos canabinoides continue a crescer à medida que cresce também o estresse do cotidiano. Em 2021, novos compostos da substância ganharão destaque. É aqui que entra o CBN (também conhecido como canabinol). Um dos derivados da cannabis, o CBN é um sedativo mais forte do que o CBD (conhecido como canabidiol), tornando-o ainda mais relevante durante o pós-pandêmia, época na qual a 'insônia da COVID' e a ansiedade fazem parte do novo normal. Considerando que o sono é parte integral de um sistema imunológico sadio, marcas de bem-estar como a Kikoko, com sede na Califória, e a Slumber CBN, com sede em Colorado, estão criando óleos e gummies à base de CBN para ajudar no sono e melhorar a saúde e o bem-estar dos consumidores. Fique atento à tendência da "mistura de canabinoides", promessa para 2021. Em uma prática parecida com a de misturar fragrâncias, compostos como o CBN, o CBD e o THC são combinados para potencializar seus benefícios.

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10. Robô pet

Para combater a solidão da quarentena, consumidores têm buscado novos companheiros: plantas, animas de estimação e até mesmo robôs. Com a vida solitária em alta, companheiros eletrônicos devem se popularizar, oferecendo a conexão social e conforto de ter alguém te esperando em casa sem o comprometimento de longo prazo que um filhote real exige. Os robôs farão parte das nossas famílias: num dia você estará dando um nome para seu robô-aspirador, e no outro terá um robô que, além de ser seu amigo, cuida das listas de compras, faz companhia para idosos e alegra seus filhos. Por esse motivo, a tecnologia terá como foco a personalidade, trabalho encarregado a animadores e psicólogos que, além de adicionar empatia à nova leva de máquinas, irão estreitar os laços entre humanos e robôs.

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